segunda-feira, 9 de março de 2009

Partida

The Cure - Faith


Hoje é um dia triste.

Fui acompanhar-te, e não sei bem para onde. Sei que partiste. Também sei que a forma como viveste os teus últimos dias não era forma de vida. O único alívio, se é que há lugar para esta palavra, é que o teu sofrimento acabou. E, de alguma forma, quando a resignação ocupar o seu lugar, todos quantos te amam, sofrerão menos.

Fez um ano que te vi pela última vez. Cobardemente, fugi neste último ano pois, confesso, não sei lidar com este tipo de perda. A última vez que te vi ainda gracejavas e rias. Guardarei essa imagem, teimosamente, na minha recordação.

Desde ontem, quando recebi a notícia da tua partida, os sentimentos são vários, sendo que uma imensa tristeza marca uma presença exacerbada. A intranquilidade que tomou conta de mim ainda demorará a desaparecer, e as recordações são um vaivém constante. A viagem até Coimbra foi um corrupio de recordações. Mas boas, tal como esta tarde o Armando recordava. Do muito que se partilhou, com excepção da tua doença, e mesmo nos momentos maus, sim, porque também houve, não houve espaço para coisas más. A tua alegria sempre tomou a primazia. Recordámos imensos momentos, e rimos. Sim, rimos, pois foram coisas boas. Alegria, folia, eu sei lá. Mentalmente revi muitos desses momentos, mas há uma noite em particular que nunca esquecerei. Com o coração a transbordar de alegria, calcorreei contigo as ruas da Alta de Coimbra partilhando anseios. Guardo a memória dessa noite de uma forma muito especial.

As lágrimas teimam em escorrer-me pela face, enquanto dedilho estas linhas. Muito poderia dizer-te, mas o essencial é que nunca me esqueci de ti e da tua companheira, neste período de silêncio. Hoje, fiquei sem fôlego, enquanto me dizia, num lamento, que o amor dela tinha ido embora.

Muitas vezes me questiono sobre a crueldade que a vida pode ter. Com tanta besta à nossa volta e teimam em nos levar os bons.

Amigo Carlos, até sempre…

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